Há uma semana eu estava sofrendo pra caramba com crise renal. Por conta de uma pedrinha, muito, muito pequenininha eu tive dores horríveis e a sensação de que nunca iria passar. Hospital, soro, remédio, cama, chá, água e muita dor me acompanharam durante sete dias até que, sem que eu pudesse me dar conta, a dor sumiu e é como se não tivesse existido.
Depois que a dor vai embora é difícil conseguir lembrar das sensações que ela trazia; parece, na verdade, que ela não aconteceu. E na vida da gente, com os acontecimentos, desafios e medos, não é diferente.
Me lembro quando eu era criança e tinha medo de dormir no escuro, por exemplo; hoje olho pra trás e não consigo entender porque, nem como acontecia. A gente vive tudo tão intensamente no momento em que as coisas acontecem, mas depois que elas passam, mal conseguimos lembrar como foi. Fica, quando tudo acaba, o que colhemos com tudo, o resultado que alcançamos na batalha que finalizamos.
Não sinto mais aquela dor, não consigo lembrar da sensação que ela trazia, mas aprendi que é preciso beber muito líquido pra que ela não volte – e disso nunca mais vou esquecer. Ainda há por aqui, no entanto, outra dor que dói ainda mais; não tem remédio, hospital ou repouso que possa curá-la, mas a esperança vai cuidar de mandá-la embora. E só espero que seja assim: que possa esquecer de como ela era, mas viver pra sempre com os aprendizados que ela trará.
